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“O jornalismo esportivo sob o olhar feminino” aborda o trabalho da mulher na imprensa

fevereiro 12th, 2018 | by Redacao
“O jornalismo esportivo sob o olhar feminino” aborda o trabalho da mulher na imprensa
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Criado através de uma proposta de Trabalho de Conclusão de Curso (o famoso TCC), o documentário “O jornalismo esportivo sob o olhar feminino”, produzido pela aluna Amanda Ferronato, da Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), em Santa Catarina, mostra o ponto de vista de 11 profissionais de comunicação acerca da inserção da mulher na editoria de esportes.

Ao comentar a ideia de fazer o TCC, Amanda, que foi entrevistada pelo Comunique Esporte, contou que naquele momento teve a felicidade em aliar quatro elementos que sempre estiveram presentes durante sua graduação: futebol, gênero, jornalismo e o audiovisual. “Com base nesses elementos e através de um mapeamento de mercado, optei por fazer um documentário no formato audiovisual por gostar muito desse tipo de produção e também pela falta de documentários que discutissem esse tema”, disse.

Desde pequena, Ferronato se aventurou a acompanhar esportes, mais precisamente o futebol. Conforme o passar do tempo, chegou o momento em optar em fazer o curso de jornalismo, o que, na visão dela, conciliou o hobby com a profissão. “O amor pelo futebol me tornou uma mulher resistente e nesse processo eu aprendi a conjugar a palavra ‘so-ro-ri-da-de’ e me fortalecer ao lado de outras mulheres que também lutam diariamente para conquistar seu espaço nessa editoria”, lembrou.

A escolha pelo tema do documentário surgiu de uma percepção e vontade em conceder voz e visibilidade às jornalistas esportivas, a fim de apresentar a mulher como protagonista deste espaço da comunicação. “E mais que isso, que ela tem direito de estar ali”, acrescentou Amanda.

O trabalho de produção e os principais desafios

“Foram sete meses de desenvolvimento do documentário, desde o projeto inicial até as etapas de pré-produção, produção e pós-produção. No primeiro momento eu tive um período de estudo para me apropriar mais de conteúdos sobre gênero e sobre o cinema, que seriam a minha base para as entrevistas”, relatou a estudante.

O jornalismo esportivo sob o olhar feminino aborda o trabalho da mulher na imprensaA partir disso, ela fez a escolha das fontes, bem como a definição dos planos das câmeras, escolha da trilha musical, identidade visual, construção do roteiro e cronogramas de gravações e viagens. “Com tudo pronto, eu comecei as gravações, sendo mais de quatro mil quilômetros percorridos entre Chapecó – Carazinho – Porto Alegre e Belo Horizonte, e na conexão entre Florianópolis, Manaus e Itália. Foi tudo muito intenso, porque entre as viagens e gravações eu precisava ir decupando todo o material dentro dos prazos e ao mesmo tempo já ir encaixando uma fala com a outra”.

Além disso, Ferronato pode contar com a ajuda de amigos para realizar as gravações e viagens. Para a jovem, “muito mais que uma equipe de suporte técnico, deles eu sempre tinha muito incentivo para não desanimar e seguir firme”.

“Acredito que as viagens, por mais que tenham sido incríveis, foram me desgastando muito. Em época de TCC é normal que o estudante passe por um processo muito intenso de doação ao seu projeto, e conciliar a minha rotina de trabalho, com a disponibilidade das fontes e dos amigos, equipamentos, horários de viagens e calendário de jogos exigiu de mim muita organização e foco. E se não bastasse, minha saúde também não colaborou muito nesse período, lembro que fui pra Belo Horizonte em meio ao tratamento médio, e que não pude ir até Florianópolis por estar com a saúde debilitada”, confessou.

As entrevistadas

De acordo com Amanda Ferronato, as entrevistas que realizou com as profissionais de comunicação foram valiosas e enriquecedoras, uma vez que teve “a oportunidade de conhecer as diferentes realidades onde estão inseridas as jornalistas esportivas, ter persistido neste aspecto foi uma contribuição grandiosa na produção deste filme”.

“Após o caminho percorrido, de muitas conversas, vivências, partilhas e de um mesmo sentimento, o amor pelo futebol, foi possível compreender o processo de inserção das mulheres no esporte e luta diária para se manterem neste espaço. Com base na fala das entrevistadas, foi possível perceber que mesmo com avanço nas questões de gênero, a presença da mulher nesta editoria ainda é motivo de julgamentos e provações diárias, e infelizmente esse cenário é encontrado de Norte ao Sul do Brasil, da América à Europa”, observou.

Com base no diálogo com as jornalistas, Ferronato conseguiu identificar que o simples fato de serem mulheres e estarem neste ambiente exige uma força ainda maior, porque, segundo ela, em todo momento são testadas e motivo de dúvidas no sentido de profissionalismo.

“Acredito que isso tenha sido algo bem doloroso de se ouvir, pois esse documentário vai muito de encontro com as minhas inquietações sobre a editoria esportiva, mas ao mesmo tempo me fazia perceber o quão importante e necessária era esta produção”.

Além disso, prosseguiu, “as jornalistas tem provado que, mesmo diante de todos esses enfrentamentos, é possível fazer um jornalismo sem distinção de gênero. E nesse sentido, foi algo muito confortante, bonito e esperançoso em ver como as mulheres têm se unido na profissão e que hoje a luta por esse espaço é algo coletivo. E pode-se dizer que este documentário parte dessa mesma luta. Essa caminhada também demandou coragem, determinação e sacrifício, afinal, é um desafio muito grande desenvolver uma produção a partir daquilo que você anseia para sua vida. Ao mesmo tempo é algo prazeroso poder relatar essa história, é também encher-se de medo por saber que este espaço, que oprime as mulheres diariamente, é o mesmo espaço que eu desejo ocupar brevemente”.

Rompimento de barreiras

No final desta entrevista, Amanda ressaltou o que o documentário “O jornalismo esportivo sob o olhar feminino” representava através do tema abordado:

“Desde que foi pensada até sua finalização, essa produção cumpriu com o desejo de transformar esse Produto Experimental em um instrumento de cunho social e político. Além disso, o jornalismo como um importante meio de comunicação pode ser considerado uma ferramenta importante na conscientização e no rompimento de muitas barreiras ao retratar e dar voz às profissionais da área, afinal, não há nada que difere gêneros nas questões trabalhistas ou sociais”, afirmou.

O jornalismo esportivo sob o olhar feminino aborda o trabalho da mulher na imprensa

O documentário, continuou a estudante da Unochapecó, não é apenas a conclusão dos quatro anos no curso de jornalismo, mas o dever cumprido com o papel social no exercício da profissão de jornalista.

“Através da escolha por uma produção audiovisual busco promover a reflexão e sensibilização dos telespectadores referente a questão de gênero na editoria esportiva, colocando em discussão a questão de gênero no futebol e na sociedade como um elemento cultural e de respeito a figura da jornalista como uma profissional, e acima de tudo como mulher. Reconhecer as lutas diárias das mulheres que constituem a maior parte da população brasileira, e que também são maioria no jornalismo é fundamental para construção de uma sociedade mais justa e igualitária, livre de preconceitos, machismo, e discriminações. Fruto do encorajamento e da persistência, essa produção se propõe a ser ferramenta de luta e de empoderamento para outra mulheres conquistarem seu espaço”, concluiu Ferronato.

Sinopse

A produção que reuniu 11 jornalistas esportivas tem como intuito documentar a inserção na mulher na editoria de esportes. Nessa trajetória, onde desafios e julgamentos são constantes, pelo simples motivo de serem mulheres, elas mostram que com determinação e coragem esse espaço, por direito, também deve ser ocupado por elas. Conduzido por uma narrativa que busca romper com estereótipos e tendo em vista a (des)construção das formas de preconceito e machismo, o documentário é também um instrumento de luta na busca constante pela igualdade de gêneros nas redações esportivas.

Veja o documentário “O jornalismo esportivo sob o olhar feminino” acessando este link: https://www.youtube.com/watch?v=VScmWdYCZ_o

Por Leandro Massoni Ilhéu

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