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Jornalista do Diário de S. Paulo comenta experiências na carreira

outubro 21st, 2016 | by Redacao
Jornalista do Diário de S. Paulo comenta experiências na carreira
Reportagens
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A vida de um jornalista costuma ser muito atribulada. São diversos compromissos e metas a serem atingidas. Agendar entrevistas, conferir opiniões de várias fontes sobre o assunto em pauta, para depois redigi-lo, e assim, criar a matéria para o leitor são alguns dos desafios encarados pelos profissionais de comunicação.

No primeiro semestre deste ano, os alunos da Universidade Anhembi Morumbi de Jornalismo Esportivo e Multimídias tiveram a oportunidade de acompanhar os relatos da jornalista e repórter do Diário de S. Paulo, Marta Teixeira, sobre o panorama atual do mercado e os desafios na área.

Desde 2000 trabalhando com esportes, Marta começou como setorista de basquete na Gazeta Esportiva. Logo, foi ganhando novas oportunidades. Contudo, seu desejo mesmo era atuar em outro segmento.

“Eu me lembro que quando comecei no jornalismo, a minha formação, na verdade, estava em outro caminho. Eu queria trabalhar com jornalismo internacional. Terminei a faculdade, fiz a minha especialização. Mas quando eu saí de cidades (caderno), o dia a dia que eu encontrei mesmo foi para jornalismo esportivo, que era uma coisa que eu não estava direto”, disse.

Seu primeiro trabalho em esportes foi quando teve de fazer uma reportagem sobre o time de vôlei do Osasco. Na época, não possuía fontes, uma vez que era seu primeiro contato com o setor. Porém, segundo ela, o começo para desenvolver sua reportagem foi “ir atrás do óbvio”, ligando para o clube, procurando desde a assessoria até o dirigente, e assim, conseguindo personagens para compor a matéria.

Mais tarde, chegou a fazer coberturas da seleção brasileira na Copa América de 2001, da etapa Homested da Fórmula Indy, da Copa do Mundo de Ginástica Artística de 2005, do Mundial de Basquete de 2006 e dos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro de 2007, além de acompanhar várias edições do GP da Fórmula 1 no Brasil e competições de vela, atletismo e natação. Desde 2010 no Diário de S. Paulo, foi setorista por um ano do time do São Paulo.

Com a experiência que adquiriu atuando na comunicação, Marta afirma que “no mercado, você tem aquelas pessoas onde você tem mais contato, entrosamento. Você precisa ter o retorno rápido para sua questão, pois a fonte é aquilo que você constrói no trabalho do seu dia a dia”. E alerta: “se o jornalista não se calça bem com as informações, se torna alvo de qualquer tipo de oportunista”.

Sobre este assunto, a jornalista se atentou aos cuidados que os profissionais precisam ter com as informações obtidas na internet, quando se trata da veracidade das notícias. “Hoje em dia temos a internet para lidar, que é o imediato, de publicar e chamar a matéria para cliques. Matérias estas que geralmente são factoides”, explica.

A repórter do Diário de S. Paulo acrescenta que hoje, existem as chamadas “brechas” que colocam a notícia sem muita checagem, o que faz com que o jornalista redobre o cuidado na hora de passar o que está escrevendo para seu leitor, pois tem um nome para zelar, além de manter a credibilidade do veículo.

Guerra entre o impresso e o digital e os riscos da especialização

Ao abordar este tema, Marta esclarece que antigamente era possível trabalhar apenas com assuntos factuais no jornal, mas com a chegada da internet e das redes sociais, os jornais tiveram que remodelar o jeito de fazer as matérias, passando a abranger mais as pautas.

No geral, os veículos impressos estão buscando como alternativas o formato de revista, explorando mais detalhes e até personagens que compõem as histórias.

E nisso, o jornalista passa a ser especialista em assuntos que deem mais apelo à leitura do que os factuais. Marta, a respeito, disse que apesar de ser setorista e ter adquirido conhecimentos no esporte, se sentia frustrada por fazer apenas aquilo. “O que eu mais gosto do jornalismo é fazer coisas diferentes”.

A jornalista declarou ainda que existem muitos jornalistas que estão acomodados com o que fazem, e que isso é um sinal de que precisam urgentemente de uma mudança. “A grande armadilha do especialista é ficar muito naquilo ali, de ficar automático. Quando o jornalista se especializa muito, ele tem que fugir”, aconselhou, no sentido de que os profissionais precisam buscar novos desafios e sair da chamada “zona de conforto”.

Prova de que existem possibilidades para se aventurar no jornalismo esportivo está a de cobrir jogos de times que disputam divisões inferiores, e que podem render boas histórias, seja com o próprio clube, jogadores ou fatores extracampo que costumam chamar mais a atenção do leitor.

O relacionamento com as fontes

Na fonte, de acordo com Marta, o jornalista vai somando fontes a partir dos contatos que consegue obter, e também da afinidade e proximidade que tem com eles. E através deste meio, descobrir que tipo de matéria ou abordagem deve propor à matéria. “Os jogadores de futebol têm mais contato, e, portanto, mais facilidade de se abrir com o jornalista”, exemplifica. Contudo, a repórter conta que com os atletas olímpicos, o contato chega a ser mais restrito, por falta de afinidade e tempo deles para conversar com o jornal.

Mesmo com essas dificuldades, existem outras tentativas de conseguir com que o personagem de uma matéria revele detalhes mais interessantes. O caso mais recente que a jornalista reportou foi o da nadadora Joana Maranhão, que aos nove anos, foi abusada sexualmente por um ex-treinador e levou isso como um trauma por toda vida, chegando inclusive a ponto de cometer suicídio.

Durante a entrevista, a repórter conseguiu com que a atleta criasse uma empatia com ela, tanto que a notícia deste caso sombrio, até então nunca revelada na imprensa, foi autorizada ser publicada pela própria Joana, como forma de desabafo de um acontecimento que a marcou negativamente. “Tem que saber trabalhar com a fonte, construir a relação”, aponta Marta.

No trabalho com a fonte, a jornalista levanta uma outra “armadilha” que o profissional de comunicação deve ter cuidado. “O meu entrevistado é apenas um entrevistado. O entrevistador não pode falar que não gostou se ele mesmo foi quem falou o que foi escrito”, disse, ressaltando que o jornalista, por mais que tenha proximidade com seu entrevistado, não pode se submeter ao que ele deseja ver publicado no jornal, devendo apenas reportar os fatos conforme o consentimento do personagem da matéria.

O futuro do jornalismo impresso

Escritora em um jornal impresso, Marta sabe bem que o veículo vem encontrando certas dificuldades para sobreviver em meio aos avanços da tecnologia e o grande número de pessoas que estão aderindo às novas formas de comunicação. “O futuro do impresso procura se alternar para se sustentar”, afirma, salientando ainda que o meio não conseguirá obter o mesmo sucesso atingido no passado.

Um dos fatores que evidenciam a situação desfavorável no jornalismo impresso está nas redações, que por causa da crise econômica, tiveram de fazer os chamados “passaralhos” (corte de funcionários), mantendo poucos profissionais em seus departamentos, o que causa muitas das vezes no desdobramento de funções dentro de um jornal.

“Ir a campo é fundamental. Hoje em dia se trabalha muito dentro”, lembra Marta, se referindo ao fato de que os jornalistas, como forma de otimizar o tempo mesmo com pouca equipe, estão fazendo seus contatos e reportagens por meio do telefone, email e até pelas redes sociais, como o Whatssap, comumente utilizado para obter respostas mais instantâneas conforme a necessidade do veículo.

E esse é mais um dos perigos enumerados por Marta: o jornalista se pautar apenas no que é veiculado nas redes sociais sem se dar ao trabalho de verificar as informações, fator que pode gerar o “sucateamento” na área de comunicação.

Em seguida, citou o caso de estagiários de jornalismo, que muitas vezes, assumem responsabilidades maiores como forma de suprir a deficiência de equipe nas redações. “Cada vez mais o estudante tem de ser um jornalista precoce”.

Apesar de todos esses pesares, Marta acredita que a missão do jornalista deve ser sempre a de manter a publicação cada vez mais interessante para o leitor.

Por Leandro Massoni Ilhéu

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