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Esporte não é tudo no jornalismo esportivo

outubro 6th, 2017 | by Redacao
Esporte não é tudo no jornalismo esportivo
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Você pode até se perguntar se realmente é preciso de mais conhecimentos para entender sobre esportes, mas a resposta sempre será uma só: sim, é necessário, sobretudo, imprescindível, ainda mais quando se trata de jornalismo. Nessa área, a bagagem cultural acaba se sobressaindo e a especialização em temas que sejam relacionados direta ou indiretamente ao assunto contam e muito para o profissional de comunicação que pretende ingressar nesse mundo.

Atualmente, existem centenas de milhões de jornalistas e demais profissionais de comunicação interessados no meio esportivo. Contudo, saber o que se passa no dia a dia dos times, informações de jogos da rodada, e mais precisamente, notícias relacionadas mais ao futebol, não são o suficiente. É preciso sustância, ou seja, abarcar mais conhecimentos técnicos e ter vivencia da área sob outras óticas.

E sobre isso, a curiosidade é um dos fatores preponderantes, uma vez que quando a temos, acerca de qualquer assunto, e nesse caso, nos meandros desportivos, nos tornamos cada vez mais capacitados para falar do tema, e adquirimos aos poucos a expertise para desenvolver textos e matérias que não abordem apenas o que aconteceu em campo, mas também fatores extras, relacionados a temáticas como cultura, política, economia, entre outros.

Ainda na faculdade, o jovem jornalista ou foca – o comunicador ainda em fase experimental ou recém formado –, como é chamado, quando possui gosto por esportes, deve começar a lapidá-lo, pois o risco de se tornar alguém monotemático ou apenas, digamos, o “defensor” de determinada agremiação, no sentido de dizer que sempre seu time é e será o melhor em campo, sem ao menos ter noção ou feito a análise de uma partida envolvendo sua equipe de coração, acaba se tornando aquele que conhecemos como “palpiteiro”. Esse termo tornou-se uma das referências negativas atribuídas aos jornalistas esportivos, mais ainda aos que tem espaço na TV, pelo fato de emitirem suas opiniões, muitas delas, sem argumentos plausíveis e sólidos o suficiente para aguentar tanto a pressão dos seus colegas de programa quanto do público e da mídia.

É sempre bom lembrar que não existe futebol como único esporte a ser analisado. Claro, dificilmente deixará de ser o carro chefe do país, mas temos muitos outros, que ainda por cima, terão mais destaque quando iniciada as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Até lá, as diversas instituições de ensino superior necessitam transmitir, por meio de seus docentes responsáveis pelas matérias que envolvem comunicação, a experiência e conhecimentos práticos e teóricos aos alunos, para que esses possam ter um embasamento melhor desse que é considerado um dos maiores eventos esportivos do mundo, e aonde um erro, por mínimo que seja, se torna crucial, e lamentavelmente e rapidamente, repercutido, em vista dos avanços tecnológicos e da própria internet e seus usuários, criativos a ponto de fazerem piadas hilariantes e virais que se tornam hits nos meios sociais virtuais.

E a respeito desse assunto, nas redes sociais, todo cuidado é pouco, quanto mais nas informações, pois do jeito que elas correm, o jornalista tem que saber acompanhar o ritmo, além de ser munido de conteúdo para não dar desastrosas gafes. O profissional que diz que “a CBF é corrupta”, primeiro de tudo, tem que se perguntar se pode dar esse tipo de informação sem ter nenhuma prova. Se por um lado, o cidadão comum pode e tem a liberdade de dizer o que pensa, o jornalista, antes de mais nada, tem que saber o que pensa sobre aquilo que sabe, porque por mais que assim como as demais pessoas tem esse direito de se expressar, deve zelar por sua imagem.

Ao fazermos uma afirmação, por menor relevância que seja, podemos ser massacrados por tudo e por todos. Portanto, vem à tona novamente: sem embasamento e firmeza nas informações, o comunicador não tem como rebater as críticas, e por fim, acaba sendo taxado como alguém que mais palpita ao invés de comprovar para ter plena certeza antes de dar aquela famosa “barriga” – termo usado quando a notícia publicada não é verídica ou quando há um erro de informação considerado relevante dentro de uma matéria.

Então, o jornalista esportivo, assim como os demais colegas de áreas afins do meio comunicativo, deve suspeitar de tudo e de todos, confiar e desconfiar ao mesmo tempo, e acima de tudo, ser conhecedor do maior número possível de assuntos e temas. Claro, o profissional não necessita ser expert em tudo, mesmo porque deve-se fazer de “burro”, pois como diria o jornalista e âncora da Record News, Heródoto Barbeiro, o jornalista bom é aquele que se faz de burro para conseguir obter dados e informações sem levantar suspeitas e demonstrando interesse apenas em saber o essencial.

Sendo assim, esporte não é tudo no jornalismo esportivo. É preciso estudar, viajar, ler, escrever – e muito, por sinal –, e conhecer várias vertentes possíveis para fazer matérias que não sejam apenas relacionadas a esportes, mas que tenham ligações as demais áreas, como o que um boleiro gosta de ouvir de música antes de um jogo decisivo, os hobbies de um atleta, o seu lado familiar, pessoal, enfim. Existe uma infinidade de assuntos que podem ser tratados e terem um “gancho” com o personagem e a matéria.

O caminho é se expandir e se especializar em gêneros diferentes de abordagem, pois só o bom e velho “arroz com feijão” não é o suficiente e o profissional que quer destaque e ser reconhecido no mercado, deve variar no cardápio e oferecer a seu público pratos saborosos de conteúdo inovador, e ainda por cima, com originalidade, porque o bom jornalista é aquele que sabe criar e se reciclar conforme o tempo certo.

Por Leandro Massoni Ilhéu

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