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Como separar a paixão da profissão?

outubro 3rd, 2017 | by Redacao

Resultado de imagem para leandro massoni facebookSaber separar o lado torcedor, quando se trata de acompanhar qualquer que seja o esporte, muitas vezes é uma tarefa complicada na vida de um jornalista esportivo. Por vezes, ele tende a se emocionar, vibrar e até cantar com seu time do coração, mas isso longe do campo de trabalho, pois quando está cobrindo uma partida, deve apenas sentir, e por fim, descrever a energia que pulsa das arquibancadas e toda a trama que envolve o jogo.

É claro que nem sempre o lado torcedor pode ser prejudicial para o jornalista. Vejamos um exemplo: caso seja escalado para ser o setorista (responsável por fazer o acompanhamento diário de uma equipe) daquela agremiação para a qual torce, ou quem sabe, tem afinidade, o trabalho pode se tornar, digamos, um pouco mais prazeroso – não confunda como um trabalho fácil. Apesar de fazer o mesmo acompanhamento que faria se estivesse em outro clube, o fato de poder cobrir o time de coração pode ser vantajoso, uma vez que o interesse por tudo que ronda a equipe acaba se tornando interesse também do próprio jornalista, que irá atrás de novas informações com a finalidade de trazer algo novo e até então não comentado anteriormente pela imprensa.

Contudo, deve-se prestar bastante atenção para não serem cometidos alguns “exageros”, como o enaltecimento da equipe que está fazendo a cobertura, mesmo em casos de derrota, além de dar pouca relevância ao time rival e ao resultado do jogo.

Outro quesito muito importante é a questão de adjetivar tanto time quanto jogador. Exemplo: “no clássico válido pelo Campeonato ‘X’, o time ‘A’ foi brilhante e mereceu o resultado, após vencer a equipe apática do ‘B’ pelo placar de 2 a 0 em pleno Estádio ‘Y’, com dois belos gols de Fulano, ainda na etapa inicial”.

Nessa frase citada acima, como estamos falando de cobertura esportiva, o certo para quem apenas vai dar os resultados e fazer uma análise imparcial da partida poderia ser da seguinte forma: “no clássico válido pelo Campeonato ‘X’, o ‘A’ foi quem mereceu o resultado, após vencer a equipe do ‘B’ pelo placar de 2 a 0 em pleno Estádio ‘Y’, com dois gols de Fulano, ainda na etapa inicial”.

Percebe-se que o adjetivo “brilhante” atribuído ao time “A” foi retirado, uma vez que poderia causar um certo desconforto para alguém que estivesse lendo a matéria. O fato do time “B” ter se apresentado “apático” durante o jogo, pode ser contado mais a seguir. E os “belos” gols de Fulano também poderiam ser melhor detalhados no decorrer do texto.

O mais importante, logo nos primeiros parágrafos, para quem vai escrever o resultado de um jogo, é dar as informações de quanto foi, quem jogou, qual foi a competição e o local de disputa. Daí por diante, você pode fazer uma análise mais detalhada do duelo e do posicionamento das duas equipes.

Enfim, todo jornalista deve se comportar como tal, não importa se vai exercer a profissão sendo o setorista da equipe que ama ou do time que não vai com a cara e que não suporta nem sequer ouvir o nome.

Dentro ou fora das quatro linhas, deve-se estabelecer a disciplina, a ética – palavra-chave – e a conduta de um profissional capacitado e bem orientado para interagir tanto com jogadores quanto com a comissão técnica e até mesmo com a própria imprensa e o público esportivo em geral que não deixa de acompanhar o noticiário.

Por Leandro Massoni Ilhéu

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