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A relação com as fontes

março 21st, 2018 | by Redacao
A relação com as fontes
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Sempre é válido dizer que um bom jornalista é aquele que possui o maior número de contatos possíveis, uma vez que para uma determinada matéria sobre um assunto específico, é necessário contar com a presença de uma ou mais fontes que sejam seguras e contundentes em seus argumentos.

Na área esportiva, talvez mais precisamente no futebol, a relação entre jornalistas e jogadores, técnicos e demais pessoas do departamento futebolístico dos clubes, as vezes, pode acabar ultrapassando os campos do profissionalismo e entrando de vez em uma relação mais amigável.

Muitas vezes, é comum vermos profissionais de comunicação tendo amizade com jogadores, entre outros profissionais do esporte, com a intenção de garantir informações frescas para assim, de certa forma, sair na frente divulgando informações inéditas e relevantes para o público.

Contudo, é sempre válido o seguinte alerta: é preciso evitar os excessos e percorrer o caminho da ética e da isenção. Já existiram casos de que o repórter, ao indagar sua fonte já confiável e amiga de longa data, sobre algum assunto pertinente e, após conseguir as respostas que queria, fazer uma matéria com base nas falas do entrevistado, porém, mudando completamente a entonação e dando uma angulação completamente avessa.

Essa técnica, ainda muito usada, serve não apenas para dar mais destaque a uma manchete como também para criar uma repercussão tamanha, capaz de inverter tudo aquilo que a fonte disse, além é claro de promover o trabalho do repórter. Só que nem sempre isso dá certo e acaba por fim, trazendo resultados nada bons.

A checagem de informações também é fundamental. Não importa se você é amigo ou não da fonte, se estabelece um contato mais próximo ou apenas se limita ao profissionalismo. O que não é permitido é a criação de “factoides”, que são fatos apenas inventados ou distorcidos, na maioria dos casos. O ditado “Amigos, amigos, negócios a parte” nunca é demais para ser lembrado e vale para toda e qualquer situação.

Por isso, todo cuidado é pouco. Quando um jogador tem uma matéria publicada falando de sua brilhante atuação no jogo do dia anterior, acaba ficando mais aberto com o jornalista que fez a matéria com ele. Mas o comunicador não pode apenas satisfazer as vontades do atleta. Deve, acima de tudo, manter a imparcialidade junto com a amizade para conseguir boas informações.

Quando ainda muito novo e sem tanta experiência, o jornalista deve conseguir a intimidade com suas possíveis fontes através de conversas informais e no convívio com eles no dia a dia nas coletivas de imprensa ou acompanhamentos de treinos. Após isso, o trabalho fica até mais fácil, pois a obtenção das informações acaba sendo mais rápida e segura. Mas é sempre importante salientar de que o profissional de comunicação deve apenas ser profissional na hora de publicar a matéria com o seu personagem, sem tentar promove-lo e muito menos, destruí-lo com determinada citação feita de forma solta pelo entrevistado. O jornalista deve se ater somente a verdade conforme tudo aquilo que foi apurado.

Não é e nunca foi errado ser amigo das fontes. É sempre válido uma aproximação maior para conseguir fatos e quem sabe, furos, mas com plena convicção de que esses são verídicos, após checadas todas as informações. O trabalho do jornalista não pode apenas favorecer o entrevistado, por mais amigo que seja dele. É preferível prezar o profissionalismo acima da amizade.

Por Leandro Massoni Ilhéu

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