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A mulher jornalista

janeiro 9th, 2018 | by Redacao
A mulher jornalista
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É para mim um motivo de alegria quando conseguimos superar barreiras que foram impostas pelo tempo e por aqueles que acreditavam ser o único método para se fazer um determinado trabalho. E falando sobre isso, destaco o caso que mais chamou a atenção da imprensa esportiva e dos amantes de futebol neste mês de novembro. Em Minas Gerais, tivemos a primeira mulher narrando futebol no Estado, fato este considerado de tamanha importância na história do jornalismo esportivo do país.

Em um mundo no qual estamos acostumados a ver homens realizando trabalhos que muitos classificam ser ideias somente para eles, quando nos deparamos com profissionais do sexo feminino alcançando lugares em que costuma predominar os seres masculinos, alguns podem achar um tanto estranho, porém é sadio e revigorante para a área esportiva, que tem a fama de ser tachada, em alguns casos, como um local para “conversa de bar”, de jogo de opiniões furadas e de quase nenhuma presença feminina.

Entretanto, a realidade está mudando, e nós, como profissionais, necessitamos observar que a mulher, sim, tem sua vez de falar e opinar com clareza e precisão sobre os principais acontecimentos do meio esportivo, ao invés de ser julgada (e isso de forma vulgar e inescrupulosa) por sua aparência e, principalmente, pelo fato de ser mulher.

Oras, as mulheres também têm seus pontos de vistas e sabem tanto ou mais do que muitos profissionais do meio esportivo comentar os “causos” do futebol e também de outras modalidades que não possuem tanta abrangência em nossa cultura com raízes futebolísticas.

Outro aspecto que desejo destacar neste texto é de que tenho acompanhando muito o que tem saído em portais de notícia relacionados ao esporte. Por vezes, vejo matérias emplacando a seguinte manchete: “Conheça as jornalistas mais gatas do esporte”. Isso não seria uma forma de “objetificar” a mulher, ao invés de valorizá-la por seu emprenho e dedicação à profissão de comunicadora?

Existem assuntos que podem ser melhores explorados acerca das mulheres no meio jornalístico, como quais delas tem participado de eventos esportivos importantes ou quem foi a primeira mulher que realizou as primeiras coberturas de Copas do Mundo ou de Olimpíadas. Porque, convenhamos, o fato delas terem espaço no mercado esportivo e mostrarem seu valor como profissionais competentes contribui e muito na valorização do trabalho do jornalismo esportivo em geral.

Além desses, outros casos como os de jornalistas esportivas que chegam aos estádios para fazer reportagem de um jogo, e logo, são “apedrejadas” por comentários grotescos e desrespeitosos por parte de torcedores, tem se tornado cada vez mais frequentes, o que é triste, pois mostra que boa parte público que acompanha os esportes (e mais especificamente futebol) possui ainda a mente fechada em vista de seu machismo adquirido com o passar dos tempos. Antigamente, uma mulher entrando em um gramado para exercer sua função de comunicadora era extremamente raro de acontecer.

E falando ainda sobre o esporte bretão, um dos melhores exemplos de superação e determinação feminina no jornalismo que posso citar é o de Sônia Nassar. Desde o início da década de 1970, ela foi considerada uma das pioneiras na imprensa esportiva paranaense e também no Brasil. Segundo relatos, foi a primeira mulher a entrar em um vestiário para entrevistar os jogadores, e mesmo estando vestida de saia rodada e salto alto, esbanjava bom humor e profissionalismo.

Em seus 32 anos dedicados à área esportiva, uma vez que faleceu em 17 de outubro de 2001, Soninha, como era chamada pelos colegas de imprensa, realizou a cobertura do Atlético-PR, além de ter trabalhado em rádio, televisão e jornal. Entre suas últimas funções, coube a ela ser a responsável pelos textos sobre o Furacão na Tribuna do Paraná.

É bem verdade que existem outras profissionais deste ramo que se espelharam no exemplo de Sônia Nassar e no de outras jornalistas que até hoje embelezam os programas televisivos e as páginas de jornais, revistas e sites com sua desenvoltura intelectual e conhecimento amplo em esportes diversos. São esses legados que nós, homens e mulheres da imprensa, devemos seguir e sentir orgulho. Todos somos iguais, mas o que nos diferencia é o nosso modo de fazer acontecer os resultados.

Por Leandro Massoni Ilhéu, publicado originalmente no Portal Imprensa

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