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A Copa e a “Lei de Mutley”

maio 23rd, 2018 | by Redacao
A Copa e a “Lei de Mutley”
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Todo começo de ano de Copa de Mundo é sempre assim: apostas infinitas nas principais seleções futebolísticas do planeta (entre elas, o Brasil e a nossa “nada amigável” Alemanha), notícias diversas sobre convocações, quais serão os uniformes produzidos pelas fornecedoras esportivas que cada equipe usará no mundial e os mais variados comentários vindos de comentaristas, especialistas e entendedores do esporte que conquistam cada vez mais novas gerações de apaixonados pela bola.

Entretanto, assim como é o caso das Olimpíadas, na qual predomina a máxima que tanto eu quanto o meu professor Marcelo Cardoso, que me concedeu aulas durante minha pós-graduação em Jornalismo Esportivo e Multimídias na Anhembi Morumbi, a, digamos, “Lei de Mutley” (isso mesmo, você não está lendo errado e muito menos eu me equivoquei pensando em escrever “Lei de Murphy”) tem também predominado no futebol, pois quando há cheiro de conquista de um lado, ou seja, uma vitória brasileira ou de alguma outra seleção de grande porte, o mundo esportivo concentra suas atenções para noticiar e cada vez mais “massificar” este fato. O que de certa forma não é errado, mas e quanto ao time perdedor e as demais nações consideradas “nanicas” no mundial? Até quando elas vão continuar sendo as coadjuvantes nestes torneios?

E por que essas seleções de médio e pequeno porte tendem a prosseguir nestes patamares imutáveis? A resposta: não há interesse e muito menos gera audiência ou lucro para os grandes veículos autorizados a transmitir jogos da Copa do Mundo. A menos, é claro, que haja uma incrível “zebra”, mas uma daquelas históricas de deixar qualquer um admirado e sem reação, a ponto de fazer com que o Mutley (personagem da Hanna-Barbera que sempre fazia favores ao seu dono, Dick Vigarista, em troca de medalhas) que está em nós e na grande mídia esportiva volte suas atenções a este acontecimento, que em muitos casos, é visto como inusitado, e logo, popularesco.

Na Eurocopa de 2016, realizada na França, um dos melhores exemplos foi a seleção da Islândia. Estreante na competição (e também na 21ª edição da Copa) foi considerada a sensação daquele ano depois de aplicar resultados significativos em seus rivais e ter protagonizado momentos memoráveis principalmente vindos de sua fanática e bávara torcida, que em todo encerramento de partida, na base da empolgação e felicidade sem igual, entoava cânticos como demonstração de reverência a um time composto por guerreiros que superaram algumas adversidades para terminar na singela e talvez gratificante oitava colocação do torneio.

Para quem se lembra ou nem mesmo faz ideia, a Islândia, ao chegar nas oitavas de final da competição europeia (equivalente a uma Copa do Mundo do Velho Continente), derrotou a favorita e tradicional Inglaterra – inventora do soccer – pelo placar de 2 a 1. Contudo, nas quartas de final, o sonho bávaro foi detido pelos donos da casa. Na ocasião, os franceses impuseram seu futebol e triunfaram diante da sensação do torneio aplicando a elástica contagem de 5 gols a 2.

Mesmo após esse resultado trágico que pôs fim ao sonho do pequeno país, a imprensa já havia se transformado em “Mutley” e, persistente, buscava como “medalhas” notícias, curiosidades ou qualquer “scoop” (furo) que fosse para estampar em seus jornais e noticiários o que havia de mais novo acerca daquela equipe liderada pelo veterano Eiður Guðjohnsen, que já teve passagens por clubes como PSV Eindhoven, Chelsea e Barcelona.

Pois é, assim como nas Olimpíadas, o “Jornalismo Mutley” está impregnado em nosso modo de pautar e fazer notícia, o que em alguns momentos pode ser muito proveitoso, enquanto em outros, nem tanto, uma vez que o profissional de comunicação também precisa se atentar a tudo que não esteja somente no radar do popularesco. O jornalista necessita daquele instinto de caçador de informações frescas e pouco acessadas pelo público esportivo. Apesar de ser este um árduo trabalho, o seu resultado, quando obtido, torna-se extremamente prazeroso e gratificante.

Por Leandro Massoni Ilhéu, publicado originalmente no Portal Imprensa

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